domingo, 14 de setembro de 2008

Prática Mysore



Este é o método tradicional de se aprender Ashtanga Yoga. É a forma utilizada pelo guru Sri K. Pattabhi Jois para ensinar em sua escola, localizada na cidade de Mysore, Índia – daí o nome “estilo Mysore”. Neste tipo de aula cada aluno trabalha no seu próprio ritmo, e o professor assiste e ajusta individualmente quando necessário.

Desta maneira, as séries do Ashtanga são aprendidas e executadas de memória, postura por postura, com novos asanas sendo adicionados quando o aluno estiver capacitado a recebê-los. Assim, na maior parte do tempo, o aluno trabalha sem ser guiado pelo professor. Cada praticante segue em seu ritmo e vai aprendendo novas posturas quando já sabe fazer a anterior. As novas posturas podem ser instruídas de uma forma adaptada até que o praticante consiga fazê-las com estabilidade e conforto em sua forma mais completa.

Aulas do tipo Mysore abrigam estudantes de diferentes níveis de habilidade trabalhando lado a lado. Ao mesmo tempo pode-se ensinar alunos novos e antigos, no mesmo horário, tornando a prática muito mais eficiente e personalizada.

Vale lembrar que o aluno não precisa necessariamente chegar no inicio da aula. Por ser de caráter pessoal, cada um inicia e termina sua prática de acordo com seu ritmo. Assim é possível que um praticante esteja terminando sua prática enquanto outro ainda está começando as posturas finais.

O Yogashala oferece aulas no estilo Mysore todas as terças e quintas-feiras das 06 30h as 08 00h da manhã. São uma hora e meia em que cada aluno pode organizar seu horário de prática como lhe convir. O professor Ciro Castro estará à disposição durante todo este período.

Venha sempre com roupas leves, não se esqueça de trazer uma toalha para auxiliar nos ajustes e boas práticas. Namastê!

Para saber mais:

www.kpjayi.org/ - site oficial do Shri K. Pattabhi Jois Ashtanga Institute

sábado, 13 de setembro de 2008

Mantra Final




om

asato mā sad gamaya

tamaso mā jyotir gamaya

mrtyor mā mrtaṁ gamaya

om


Do irreal conduz-me ao real
Das trevas, conduz-me à luz
Da morte, conduz-me à imortalidade



Mantra da Paz




om

saha nā vavatu

saha nau bhunaktu

saha vīryaṁ karavāvahai

tejasvināvadhītamastu mā vidviṣāvahai

om


Que todos nós sejamos protegidos
Que todos nós sejamos nutridos
Que trabalhemos juntos com grande energia
Que o nosso estudo seja brilhante e efetivo
Que não nos odiemos ou disputemos um com outro


Mantra para remoção de obstáculos





om

vakratunda mahākāya

kotisūrya samaprabha

avighnam kurumedeva

sarvakāryesu sarvadā

om



Aquele que tem a tromba curva,
de corpo gigante, que brilha como milhões de sóis,
remova os obstáculos, meu Deus,
em todas as ações que eu fizer.



Mangala Mantra




om

svastih prajābhyah paripālayantām

nyāyena mārgena mahim mahīśāh |

gobrāhmanebhyah śubhamastu nityam

lokāh samastāh sukhino bhavantu ||

om


Que a prosperidade seja glorificada
Que os líderes da terra protejam a todos mantendo o caminho correto
Que haja o bem para aqueles que sabem que a terra é sagrada
Que todos os mundos sejam felizes


terça-feira, 2 de setembro de 2008

Ashtanga Yoga Mantra

Atendendo a pedidos publicarei uma serie de mantras mais utilizados durante as praticas. Namaste!


ॐ

वन्दे गुरुनम् चरनरविन्दे

सन्दर्सित स्वत्म सुखव बोधे

निह् स्रेयसे जन्गलिकयमने

सम्सर : अल हल मोहसन्त्यै

आबहु पुरुसकरम्

षन्खचक्रसि धरिनम्

षहस्र सिरसम् स्वेतम्

रनममि पतन्जलिम्

ॐ

Om

Vande gurunam caranaravinde

Sandarsita svatma sukhava bodhe

Nih sreyase jangalikayamane

Samsara Hala hala mohasantyai

Abahu purusakaram

Sankhacakrasi dharinam

Sahasra sirasam svetam

Pranamami patanjalim

Om

Saúdo os pés de lótus do mestre

Que ensina o justo saber e mostra

O caminho para o despertar da alma, aquele que esta

Alem das comparações e que, como o medico da selva,

Extrai da consciência o veneno da ignorância.

Inclino-me frente ao sábio Patanjali,

Que tem forma humana na parte superior do corpo,

Que segura uma espada, uma concha e um disco,

E que esta coroado por uma serpente de mil cabeças.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A respiração e o yoga

A respiração e o yoga

Ponto fundamental de qualquer escola ou linha de yoga, a respiração fornece a base estrutural na qual o praticante atento constrói todos os alicerces de seu sadhana (pratica cotidiana). Se aventurar pelo yoga sem a atenção especial na qualidade, no ritmo e na intensidade do trabalho pulmonar seria o mesmo que vagar numa terra desconhecida sem qualquer instrumento de orientação.

Respirar, como todos sabem, é o principio básico da vida. Da mesma maneira, também é um ponto de suma importância no universo do yoga. Seja durante a pratica física ou nos exercícios de expansão do prana (alento vital) bem como em momentos de meditação, respirar bem significa praticar com propriedade e sabedoria.


Processo de levar o ar para dentro e fora dos pulmões, causado por uma mudança tridimensional no formato das cavidades torácica e abdominal – assim é definida a respiração no guia Anatomia da Yoga (sic) de Leslie Kaminoff. Podemos então aproximar os termos conhecidos na literatura do yoga aos descritos acima. No caso especifico da tradição do Ashtanga Vinyasa Yoga é recomendado que nunca se pratique asanas sem se observar a relação intima dos mesmos com os momentos de inspiração e exalação. Logo no primeiro dia de pratica já se percebe uma atenção especial entre montar, permanecer e sair de qualquer postura e ainda respirar de forma sincronizada e precisa, respeitando o conceito de Vinyasa Krama. Para seguir este conceito deve-se estar atento a correta preparação para cada postura, considerando a sincronia entre asana e respiração. Assim, não é à toa que o instrutor guie o aluno de forma pontual apontando cada movimento e a maneira de respirar durante e entre cada postura. Apenas ao compreender profundamente o Vinyasa Krama pode-se conseguir o objetivo descrito no Yoga Sutra de Patanjali – texto de aforismos seminal da tradição do yoga - de permanecer com estabilidade e conforto em todo e qualquer asana.

É neste momento que o Ujjayi Pranayama entra em destaque. Esta respiração na base da garganta com leve contração na laringe para que se estreite a passagem do ar, produz um suave ruído e, por conseqüência, maior controle e ganho de consciência do fluxo continuo de oxigênio inalado. O Ujjayi, ou mesmo, a respiração vitoriosa, aumenta internamente o calor corporal estimulando a transpiração e desta forma eliminando impurezas através do suor intenso gerado pela sua união com a pratica de posturas. Por regular o funcionamento da glândula tireóide e do sistema endócrino este pranayama possui caráter profilático.

Completando o método do Ashtanga Vinyasa, os fechos de energia, também conhecidos por bandhas funcionam como bainhas proteção advindas da contração dos músculos que formam a região do assoalho pélvico e da região profunda do baixo ventre – conhecidos respectivamente por mula bandha e uddyana bandha. Estes movimentos diafragmáticos redistribuem a tensão mecânica da respiração, e desta forma oferecem maior estabilidade ao corpo e também geram calor interno expandindo e desenvolvendo força e potencia física. Sendo assim, os bandhas dão apoio à dinâmica respiratória do organismo e, por conseguinte, nutrem o mesmo. A união entre a sincronia do vinyasa krama, a energia do ujjayi pranayama e a estabilidade dos bandhas levam o praticante a novos níveis de consciência respiratória e corporal, descobrindo-se novas fronteiras físicas e psíquicas.

Mas por que a respiração merece tanta atenção no yoga? Alem dos motivos descritos acima, ela traz ao nosso corpo o prana, ou seja, a vitalidade. Aquele que domina sua respiração possui uma melhor distribuição de vitalidade por todo organismo. Quando o prana não é distribuído satisfatoriamente percebem-se estados de prostração, falta de vigor físico e mental ou mesmo motivação. Em casos mais extremos, quadros depressivos e ainda doenças físicas podem desenvolver-se. Mais uma vez, o Yoga Sutra adverte no aforismo 1.31 sobre os malefícios de uma respiração perturbada citando svasaprasvasa, ou seja, dificuldade de controlar a própria respiração como um indicio, um sintoma que os obstáculos a pratica de yoga estão se enraizando. Por outro lado, aquele que já esta seguro e expande o alento vital a todas as células de seu corpo, experiencia a sensação de contentamento e tranqüilidade pois a quantidade de prana em seu organismo é elevada. Não dissipando ou perdendo vitalidade a mente se torna mais serena e as mazelas do corpo não o perturbam mais.

O yoga não existe sem a respiração. O poder vindo de seu devido domínio dá maestria ao praticante, fazendo com que o mesmo possua corpo físico saudável, níveis de energia elevados em fluxo continuo no organismo e por fim uma mente tranqüila e focada no momento presente, aproximando sua consciência a níveis sutis de percepção.

Saiba mais:

Luz na vida – B.K.S Iyengar

Anatomia da Yoga – Leslie Kaminoff

Ciro Castro

Florianópolis, 20 de agosto de 2008