sexta-feira, 7 de agosto de 2009

de olho na multidão inerte

Segue por aí que o amor é uma coisa boa.
Segue pelas ruas que é feliz apenas quem o encontrou.
Sabes que sei que talvez sabíamos dessa verdade, porém todavia
a sabedoria pode ser apenas conto da carrochinha
quando algo deveras elucidante chega e detona a realidade suposta.

Desça do céu, sabes como é?
Entregue apenas àqueles que sabem porque
queriam saber e decentemente buscaram
entender a profundidade do ser vivente.
Bípede, esguio e arrogante
auto intitulado ser regente
do terceiro planeta de um minúsculo sistema
de uma galáxia qualquer na beira do universo.

Perplexa imensidão mesquinha
que em escala de formigas
não passa de uma ida a esquina do formigueiro
e voltar logo após carregando meia dúzia
de folhinhas e gravetos.
Coisa de um domingão sem inspiração!

Enquanto a empáfia segue ao toque de caixa,
o vento sopra e o fogo queima,
a cigarra canta, avoa e troca de casca
em algum tronco e deixa assim
um mundo intenso de sonhos
para a criança que encontrá-la.

Tenha dó! Não sabe observar?
O amor é o resumo da ópera
ensaiada, cantada e encenada
pela multidão inerte,
fotossintética, exoesquelética,
quadrupede e qualquer adjetivalóide
que apontamos com o indicador
como reles irracionais.

Amar é estar distraído para sentir e viver!
Fernando Pessoa o disse e o diga.

10 comentários:

Sarah disse...

que belo este texto! mas eu não entendi, foi vc ou o fernando pessoa quem escreveu? abraços

Luis Paulo disse...

uma critica ao amor novelístico! muito bem! há tantas pessoas que dizem amar neste mundo mas que na verdade não sabem realmente o que é isso, amor egoísta, amor possessivo, amor infiel, amor desleal, amor de ego não é amor. Amor de verdade é aquele que independente da situação, independente do seu próprio querer, pensa e deseja sempre o melhor para a outra metade. É dificil encontrar... eu por exemplo estou assim "distraido" esperando que um desses me pegue de surpresa. Valeu pelos escritos!

Kaká disse...

Cirinho... esse mexeu no intelecto da alma :)
Vamos por partes... tristes são aqueles que vivem assim, como está descrito acima - na esquina do formigueiro. Felizes aqueles que encontraram o amor na liberdade; pois definitivamente acredito que amar é ser livre; sábios são aqueles que vivem por aí, distraídos e conectados.
(posso por no meu blog tb, please?? Está tão lindo...)

Beijão

Alice disse...

"O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher)."

este é um trecho do livro A Insustentavel Leveza do Ser do Milan Kundera que eu estou lendo, acho que tem um pouco a ver, nao?! sei lá, mas de qualquer forma eu estou adorando o livro e adorei seu blog tbem heheheheh =] beijinhos

Alice

Ciro Castro disse...

Oi Sarah, valeu pelas palavras. Esse texto é meu, porém no final cito um versinho clássico do Fernando Pessoa. E Kaka, claro que vocce pode usar este ou qquer outro texto aqui do keep om, só peço para colocar a fonte, ok?

bjos

Lore disse...

Nossa Ciro, que lindo e profundo esse texto, ou poema. Também tinha ficado na dúvida se era do Fernando Pessoa. Muito bom mesmo...
Tinha que publicar um livro com seus poemas!
bjs

Fernanda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernanda disse...

"qual é a cor do amor?" diria o cazuza... lindo poema! valeu!

ana.. disse...

...amo o vento que entra sorrateiramente pela janela bagunçando meus cabelos...amo o azul da cortina que ele balança... amo a maçã que seguro delicadamente por entre os dedos... amo as mãos do homem que plantou a macieira, e da mulher que colheu o fruto do amadurecimento... amo a fumaça do cachimbo do velho que preguiçosamente lê o jornal, e o cachorro que deitado de barriga para cima se delicia com o sol da manhã... amo a criança que atravessa a rua com cara de sono e com os cadarços desamarrados... amo a rua por onde ela passa... por onde tantos destinos passam... inclusive, quem sabe, o meu.

Amo! amo sim todas estas coisas e ainda inúmeras tantas outras, apesar de saber que nunca as tive, que não as tenho e que nunca as terei... afinal, até mesmo a fruta que a pouco segurava, firme e sólida nas minhas mãos, esvaiu-se, desapareceu no infinito universo do céu da minha boca.

O amor?
O amor é uma vertigem...

Maria Paula disse...

adorei este post... na verdade gostei do seu blog todo hehe