sábado, 21 de junho de 2008

Por que vegetariano?

Não como carne porque não pretendo matar mais e nem mesmo causar dor a nada que esteja livremente vivendo sua vida, mesmo que mais banal e desinteressante possa parecer aos olhos humanos. Motivos são inúmeros, científicos, biológicos, ecológicos, esotéricos e assim por diante. Estão todos citados e explanados em varias publicações sobre o vegetarianismo e suas vertentes.

Mas a idéia de ser assassino que me incomoda mais. A idéia de tirar vidas para alimentação quando tantas outras opções existem por ai, saltando aos olhos na exuberante natureza. Criar, confinar, alimentar, desenvolver rebanhos, assumir técnicas e construir ciências baseadas na matança indiscriminada de outros seres. Isso incomoda. Do peixe ao gado, do marisco ao faisão todos estão passeando pelo planeta por várias razoes como explicam, ou tentam explicar, religiões, credos, culturas. Contudo, um motivo que de forma alguma justifica a vida de outro ser seria a exclusiva função de alimentar a humanidade. Milhões e milhões são abatidos, esfolados, maltratados, drenados ainda em vida. E isso não escrevo para impressionar ou causar sentimento de culpa. E assim mesmo que acontece por abatedouros e granjas mundo afora.

Subjulgar violentamente outras espécies, constantemente com requintes de crueldade seria mesmo a melhor maneira de sustentar o desenvolvimento da nossa raça? Não somos nos mesmo que escrevemos, relatamos, anunciamos aos quatro ventos e por todos os lados a nossa superioridade intelectual, ética e moral sobre estas mesmas outras espécies? Mas mesmo assim levamos a vida com a mesma atitude que um vírus apresenta. Apossando, sugando energia de outro corpo, causando dor, levando a morte, e seguindo adiante para procurar mais e mais.

Há muito deixamos de interagir com a natureza de forma equânime e justa, seja ela animal, vegetal ou mesmo mineral. Olhamos a terra, o mar e o ar apenas como terreno fértil para retirar riquezas, sustento, danificá-la, alterá-la. Parasitas não seria uma boa palavra para esta atitude? Usar sem dar nada em troca. Desmatar, aterrar, represar, explodir... Há muito deixamos de adequar nossas necessidades a um ritmo natural, e de forma autoritária ditamos regras e mais regras sobre nosso planeta.



Ciro Castro

Florianopolis, 21 de junho de 2008

6 comentários:

Marina F. Bez disse...

De onde vem o que tu comes? Tu plantas os teus alimentos?? Compra no supermercado??? De onde eles vêm?? São REALMENTE orgânicos?? Sabe quantos peixes morrem em função dos agrotóxicos lixiviados do solo pela chuva?? Come soja, milho, chupa cana (hehe)??? Sabe quantas espécies (incluindo aí, animais e vegetais!) somem como consequência dessas monoculturas??? Respeito muito a tua opinião e sentimentos em relação à comida, no entanto, cientificamente e ecologicamente, é preciso rever alguns conceitos.

ciro disse...

Realmente voce tem razao. Fica dificil controlar e monitorar todo o processo de producao de nossos alimentos. De qualquer maneira isso nao exclui a necessidade de nao matar e nao causar dor a outro ser vivo.

Marina F. Bez disse...

Desafio aos arquitetos: Prédios com varandas com espaço e sol suficiente para que todos tenham sua horta!

ciro disse...

acho q nao encontraremos arquitetos para esse desafio. apesar de um tanto utopico em curto prazo, encontraremos cidadaos focados em desenvolver mesmo em pequena quantidade e comunidades um nova maneira de produzir e por fim de se alimentar. sem grandes planos ou mesmo programas de governo. alguem deixa de comer animais, outro deixa de comprar produtos anti eticos, e assim as coisas vao mudando gradativamente, ou melhor, naturalmente.

Marina disse...

Quanto à dar dos outros...Ela continua sendo causada, de forma indireta, mas talvez aidna mais cruel! Invade e toma a casa de alguém...Isso também causa sofrimento!

claudia disse...

muito bom no texto, hein seu ciro!
gostei de ler
:)

fiquei pensativa e acho que vc tem razão. o mundo anda tão complicado...